Spiga

Trazendo as Redes Sociais para a vida real (ou “O Efeito Nerds-On-Beer”)

30 de Março, 2008 escrito por Leandro Gabriel

Tá, confesso, virei arroz-de-#NoB e tenho me esforçado bastante pra ir em TODOS! Adorei a nerdaiada que conheci via Twitter e os assuntos são sempre interessantíssimos, naturais. O fato é que eu ter começado a participar de eventos e encontros sociais abertos de pessoas que não necessariamente já se conhecem pessoalmente me levou a pensar sobre o assunto INTERATIVIDADE e sobre o quanto a onda Web 2.0 pode ser suficiente para a necessidade de interação social.

Pessoas na Starbucks

O Nerds-On-Beer (a.k.a. #NoB) nada mais é do que uma tag agregadora para qualquer grupo de Nerds em qualquer lugar do mundo que queira marcar um encontro ABERTO, ou seja, para qualquer pessoa que queira e possa aparecer. Geralmente é fácil de identificar quem está participando de um #NoB em um bar ou café: basta procurar uma mesa com um monte de nerds de smartphone na mão, sempre atualizando em tempo real, na Web, o que acontece no encontro.

Pois então, percebam, são pessoas que, insatisfeitas com a interação social que possuem virtualmente, se juntam para o bom e velho bate papo de boteco. Desde que o mundo é mundo, nada substitui a conversa presencial. Nenhuma ferramenta Web 2.0 é capaz de representar de forma fidedigna as animosidades, expressões e gestos de uma conversa pura e simples.

Agora imaginem:

O sujeito, dono de um café ou bar, fica atento aos grupos nas mesas de seu estabelecimento tentando perceber onde estão ocorrendo os debates e discussões calorosas. Suponhamos então que ele perceba uma mesa, supostamente cheia de arquitetos, discutindo cheia de empolgação uma nova obra ou projeto. Aí ele se aproxima e cordialmente se dirige às pessoas na mesa:

– Boa noite senhores. Notei que estão debatendo empolgadamente sobre arquitetura. Me permitem divulgar na internet o tema da discussão de vocês e eventualmente trazer novas pessoas para seu grupo?

Então, com o consentimento dos componentes do grupo, o dono do estabelecimento lança, na conta que mantém no Twitter, por exemplo, o seguinte texto:

“Neste exato momento, na mesa 21, um grupo de seis arquitetos discute empolgadamente o projeto da nova ponte sobre o Rio Pinheiros. Venham aqui e me digam a senha #Arquitetos que os levo até a mesa deles e o primeiro chopp é por conta da casa!”

O dono do estabelecimento torna-se um matchmaker para grupos sociais, chama mais pessoas para seu bar/café e ainda promove a discussão, debate e geração de cultura. Não parece fantástico? Pois é, me pergunto porque ninguém faz isso ainda.

Starbucks que se cuide quando eu abrir meu café.

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5 respostas para este post

  1. Marco Gomes Diz:

    E lá vem um modelo de negócios daqueles bons hein! Escreve esse treco e manda pra alguém cara! Dá futuro :D

  2. Ricardo Panaggio Diz:

    Belo texto! E uma visão interessante.

    Mas eu iria além. Web 2.0 para mim é apenas o telômero. Há um universo muito grande de possibilidade que nós ainda poderemos vivenciar. Há muito que ainda não imaginamos, que não temos tecnologia suficiente para gerar. E provavelmente, o código todo desse cromossomo terá um longo caminho de novidades inesperadas, para que o possamos entender por completo.

    Mas, uma coisa é certa: é das entranhas da Web que sairá grande parte de toda inovação vindoura. Seja ela tecnológica, com o que já estamos habituados, seja ela social.

    Estamos vendo o indivíduo e seu meio erguer-se no horizonte da terra plana, mas em breve isso pode mostrar-se mais que apenas um lampejo: como propõe a Web 2.0, este é realmente o centro de todo esse universo.

  3. Gustavo Diz:

    A maioria das pessoas “normais” não se sentiriam a vontade com gente estranha entrando na conversa delas.

    A idéia é boa, mas pena que só é boa para blogueiros e nerds que são ativos no twitter, mas de qualquer forma é um nicho. Vamos abrir um café ???

  4. Guilherme Diz:

    Gustavo,

    Como você disse, hoje essa idéia só afetaria a vida de pessoas ativas na Web. Mas como estavamos discutindo sexta-feira, essa cultura deve ser disseminada. Fazer com que a internet deixe de ser um lugar de poucos e passe a ser um ambiente comum e atraente para as pessoas. Muitos usam a internet, mas poucos são os que geram conteúdo nela. Quando esse “mundo” deixar de ser de poucos, e passar a ser usado pela maioria, idéias assim vão começar a surgir, criando uma ponte entre o convívio no mundo real e o virtual.

  5. Leandro Gabriel Diz:

    Guilherme,

    Adorei seu comentário! É EXATAMENTE essa a visão que este blog espera despertar nas pessoas. Ou pelo menos é a visão que eu quero despertar nas pessoas por meio deste blog.

    Como o Panaggio já disse, Web 2.0 é apenas a ponta do iceberg de mudanças comportamentais que ainda vão ocorrer nos usuários de internet. A minha idéia (nada humilde) é tentar anteceder como esse universo novo de possibilidades vai afetar os negócios e o comportamento das pessoas como consumidores e como sociedade.

    Se ficarmos presos a “como é” para pensar em “como poderia ser” nunca sairemos do lugar. Tá bom, essa última frase foi profunda como um pires, mas sou blogueiro, não editor.

    Abraço!

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