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Flexibilidade, espírito empreendedor e capacidade de abstração

15 de fevereiro, 2009 escrito por Leandro Gabriel

Nossos pais (ou a maioria deles) foram educados e acostumados a pegar uma carreira, um rumo profissional, e seguir quase eternamente. Os meus são exemplo claro: ambos dedicaram uma vida ao mercado de medicina de grupo, ele na área de pós-venda e retenção, ela na de gestão de recursos.

Hoje mesmo as maiores empresas valorizam aquilo que algumas chamam de espírito empreendedor e outras de flexibilidade. Tomo como exemplo minha (curtíssima) experiência na IBM. Enquanto estive lá pude perceber o estímulo que existe à flexibilidade. Vagas que surgem são primeiro abertas ao pessoal interno, que tem razoável liberdade para definir suas metas de carreira e mudá-las ao longo do percurso, mudar de área. O bom funcionário de um departamento pode ser o ótimo gerente de outro. Valoriza-se a diversidade de pontos de vista e, mais do que isso, a capacidade de abstração, de absorver experiência e conhecimento amplo de situações e conflitos essencialmente específicos. Isso é a tal flexibilidade, ou espírito empreendedor.

Mesmo o exemplo da IBM não basta para ilustrar a importância de ser capaz de se adaptar à mudança. Cada vez mais empresas estão adotando uma visão de projeto para sua operação normal, com isso as equipes estão em eterna transição. Em um ambiente de projeto, quem tem maior capacidade de ajustar sua abordagem, quem tem um amplo espectro de experiências geralmente tem maior capacidade de contribuir para os milestones de alto nível, para as metas comuns a todos envolvidos no projeto.

Além disso, vivemos um ambiente de empreendedorismo bastante aquecido, onde muitos se sentem seguros o bastante para iniciar um negócio. Fábio Seixas publicou um artigo sobre como trabalhar em uma startup pode contribuir para o desenvolvimento profissional que ilustra com mais clareza o que quero dizer:

Na época da minha faculdade, eu sempre dizia para os meus colegas que era melhor optar por um estágio em uma empresa pequena, se possível uma start-up, pois seria possível ter contato direto com todos os (poucos) níveis da empresa e ter a oportunidade de aprender de tudo um pouco, diferentemente de trabalhar em uma grande empresa onde geralmente o funcionário tem contato apenas com 1 ou 2 níveis dentro do seu próprio departamento.

Esse contato com os diversos níveis de uma empresa e aprender “de tudo um pouco” contribui para o aglomerado de experiência profissional que prepara para a tomada de decisões. Talvez seja esse o motivo pelo qual até nas maiores empresas vemos CEOs cada vez mais novos. Meu palpite é que se questionarmos esses jovens CEOs sobre suas experiências veremos uma tendência à multidisciplinaridade, uma verdadeira salada de referências que permite visão ampla, aberta.

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Uma resposta para este post

  1. Raphael Tavares Diz:

    Isso mesmo, hoje em dia temos que ser, fazer e saber de “tudo um pouco”. Quem não se adequa está perdendo o lugar no mercado.

    Abraço.

    Raphael Tavares

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