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3DReview: Apple, uma empresa para se amar - Parte 2: O design

24 de Janeiro, 2008 escrito por Gustavo Alves

Steve e Jon

O comercial do Macintosh de 1984, citado na primeira parte desse 3Dreview, é um belo exemplo da maior qualidade da Apple: o espírito de aventura e a paixão por ser e pensar diferente. Essa qualidade provém é claro de Steve Jobs. O homem por trás da maçã sempre teve a fama de desordeiro na faculdade, acho que na verdade ele era mal compreendido, talvez ele apenas estivesse expressando sua personalidade e mostrando que a ordem nem sempre precisa ser “aquela”, existem outras “ordens”, melhores e mais bonitas, e é aqui que eu entro na parte 2 desse 3DReview da Apple… O design.

O Macintosh de 84 foi desenhado sob o conceito al-in-one (AIO), monitor e hardware era reduzido a uma peça. Simpático com seu formato de caixa, barato e com a interface gráfica user friendly, a maquina foi bem até que suas limitações de memória e incompatibilidade com HD’s genéricas afundaram as vendas. Foi com o lançamento da Laserwriter, a primeira impressora de baixo custo que interpretava arquivos no formato Postscript, e o software de editoração Pagemaker que o Mac voltou com força. Esse foi o marco do casamento dos designers com os Mac’s. Com esse combo — software, máquina e impressora — o Mac revolucionou o mundo da editoração gráfica e iniciou a era da publicação desktop (DTP) se tornando o pc favorito dos designers gráficos.

Mas nem só de designers é feito o mercado consumidor. A Apple começou a definhar quando os pc’s IBM rodando Windows dominaram o mercado. A coisa ficou pior ainda quando em 1985 Jobs teve um desentendimento com o atual diretor John Sculley e pediu demissão. Deste ponto em diante a Apple passou por um grande período de instabilidade, sem grandes novidades, sendo a maior delas o lançamento do Powerbook. Só ao final de 1996 Jobs retorna ao staff da empresa. A essa altura o jovem designer Jonathan Ive já se destacava dentro da companhia e com Jobs de volta é promovido a líder do departamento de design industrial e se inicia uma nova era na empresa.

Apple 2.0

Na Apple, Jonathan Ive está para o design assim como Guy Kawasaki está para os negócios e sob o aval de Jobs o designer encabeça uma série de projetos inovadores que se iniciam com o lançamento do Imac em 98. Seu design é uma releitura do Mac de 84, mas esse pc all-in-one tinha os cantos arredondados, imitando o formato de uma maçã e uma carcaça azul translúcida, era compacto, bonito e fora do padrão dos pc’s do mercado atual, agradando ao público jovem. Foi o primeiro passo para a massificação da marca, porém, o Imac tinha um grande defeito: não sei o que se passou pela cabeça dos designers ao fazer aquele mouse redondo, nada ergonômico principalmente para usuários de mãos grandes, mas apesar disso, foi a salvação. Venderam esse pc como água, a imagem abaixo mostra a evolução do design dos produtos Apple, note como houve uma grande mudança dessa data em diante.

Evolução da apple

(clique para aumentar e depois clique na imagem para fechar )

A Apple decidiu levar realmente o design a sério, escolheram por usar o design como ele deve ser usado: como um esforço criativo para conceber algo de forma a solucionar problemas seguindo objetivos práticos e coerentes. Design não é só algo que faz o produto ficar mais bonito. A idéia é atingir a perfeição, ou ao menos chegar perto disso.

No site de Jonathan Ive ele afirma: “I believe designers should eliminate the unnecessary. That means eliminating everything that is modish because this kind of thing is only short-lived.” Em tradução livre ele diz que os designers devem eliminar tudo o que for desnecessário, o que significa eliminar tudo o que for modismo pois isso tem vida curta. E eu afirmo categoricamente, décadas passarão e esses mac’s e ipod’s ainda terão um design atual. Afirmo com essa certeza pois isso já foi provado na prática: o designer Dieter Rams desenvolveu produtos para a indústria de utensílios domésticos Braun em 1960, um de seus trabalhos é o rádio abaixo.

Radio de Dieter Rams

Em design, seja industrial, gráfico ou de jóias, é quase impossível criar algo absolutamente inédito. Referências e releituras sempre vão existir, pois desde que o homem aprendeu a manufaturar objetos o design existe e talvez não haja mais formas para serem exploradas. Um designer deve ter um feeling e conhecimento apurado para saber quais referências usar e como adaptá-las à realidade atual. O time de designers da Apple fez isso magnificamente bem, e o resultado foi um dos aparelhos eletrônicos mais revolucionários e vendidos do planeta, já existiam mp3 players, mas o Ipod veio e se tornou “O mp3 player”.

Ipod

Outras comparações com o design de Dieter Rams estão na MacMagazine e no Gizmodo, Rams criou produtos com um estilo quase imortal pois levava a sério sua profissão e seguia as premissas verdadeiras. A Apple aprendeu essa lição e não pode ser condenada por ter “copiado” o gênio, como já foi dito. O objetivo do design é alcançar a perfeição e Rams quase conseguiu, Apple veio para completar o trabalho do gênio, as referências sempre existirão. Quem sabe se daqui 30 anos algum novo gênio não fará uma releitura do Iphone e conceberá algo mais perfeito do que se pensava ser possível? Seguindo esse conceito aquela velha máxima do nada se cria… Ficaria melhor assim: Nada se cria tudo se re-cria.

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2 respostas para este post

  1. Gabriel Diz:

    Gostei da matéria, parabéns!
    Outra coisa que eu acho que merece um post, ainda sobre interface da Apple, é a interface dos softwares. O Mac OS, a tal usabilidade milagrosa do mesmo, porque artistas gráficos são unânimes em dizer que é tudo mais fácil no Mac… Pra mim é um assunto interessante e, honestamente, não consigo imaginar o que o Mac OS tem de tão melhor pra essa aplicação específica.
    Abraço

  2. Gustavo Diz:

    Que me dar um Mac de presente de aniversário?? Dai eu testo e faço o review de porque ele é tão bão! rs*

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