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3DReview: Apple, uma empresa para se amar - Parte 1: The Business

20 de Janeiro, 2008 escrito por Leandro Gabriel

Brevíssimo Histórico

Evolução dos Logos

A Apple, como a maioria das empresas do Vale do Silício, nasceu em uma garagem, idealizada por Steve Jobs, na época um hippie doidão. Jobs era diferente de todos os outros “computeiros” que o cercavam: além das eventuais “viagens” que ele curtia, ele não sonhava em ser um IBMista (‘Áibiémer’, como eles dizem lá). A IBM[bb], em sua opinião, não passava de um núcleo de workaholics[bb] sem imaginação e representava tudo que uma empresa de tecnologia não deveria ser.

Dois fatos bastante interessantes na história da empresa foram o afastamento de Steve Jobs da presidência, por disputas internas e a subseqüente “guerra” interna criada pelo próprio Jobs entre os desenvolvedores do Macintosh e os desenvolvedores do Lisa. O Lisa acabou sendo um fracasso de vendas devido ao seu elevado preço e o Macintosh foi apresentado a público com o famoso comercial “1984”, no qual o IBM PC era representado como o Big Brother[bb] (por favor, senhores, o de George Orwell, não o do Bial) e o Macintosh como uma força libertadora.

Propaganda do PageMaker, a razão do sucesso inicial do Macintosh

 

O Macintosh teve boas vendas iniciais, que não se mantiveram por muito tempo. A sorte virou apenas depois da combinação de três fatores: Macintosh, impressoras à laser[bb] por um preço razoável e PageMaker, um software de editoração. Esses três fatores juntos são considerados responsáveis pelo surgimento de um mercado em torno dos softwares de editoração.

 

 

Evangelismo e Guy Kawasaki[bb]

Nos primeiros anos de mercado do Macintosh, a Apple precisava de software. Neste cenário, a função dos chamados Evangelistas da Apple era convencer os desenvolvedores de software a escrever produtos para o Macintosh. O primeiro evangelista da Apple foi Mike Boich, mas o mais famoso deles foi Guy Kawasaki.

 

Kawasaki leva o mérito de ser o primeiro a levar o conceito de Evangelismo para o mundo da alta tecnologia. Seu foco era criar uma grande comunidade de defensores-usuários apaixonados pela marca Apple. O Evangelismo na Apple, quando Kawasaki chegou, era mais para conseguir que se fizesse o que precisava ser feito, já que estava nascendo uma comunidade de usuários apaixonados por uma máquina que ainda não tinha sequer softwares para serem usados. Guy usou o Evangelismo para convencer as pessoas a trazerem mais pessoas, a acreditarem no sonho Macintosh, a combater o negativismo da imprensa, a mostrar a mais pessoas que um Macintosh melhoraria a vida delas, a espalhar a palavra de que a Apple estava revolucionando o mundo, levando a computação para o dia-a-dia das pessoas.

A Apple cresceu significativamente graças a seus consumidores, que eram tão apaixonados pelos produtos Apple que se tornavam uma verdadeira força de marketing. Esse é o espírito do Evangelismo de Clientes, ou Buzzmarketing, se preferir. A Apple levou isso às últimas conseqüências.

A importância disso é que pessoas confiam mais em pessoas do que em propagandas na TV. Se seus amigos comentam com toda a empolgação do mundo que o melhor computador que existe é um Apple, as chances são de que, no mínimo, você dê crédito à ele.

Praticamente toda a estratégia da Apple nos primeiros anos de Macintosh foi baseada em Evangelismo. Para que você tenha uma boa noção sobre o que é evangelismo, podemos fazer a seguinte distinção: Vender baseia-se naquilo que é bom para você, Evangelizar baseia-se no que é bom para o próximo. As pessoas Evangelizavam a Apple porque tinham a mais absoluta certeza de que aquele era o melhor produto que existia, não porque recebiam bônus ou prêmios.

Eu prometo a vocês que em breve escreverei um post exclusivo sobre Evangelismo de Clientes. Se eu não parar agora, me empolgo tanto sobre isso que esqueço a Apple. Vamos em frente…

As Vantagens de se ter um presidente-ícone

Steve Jobs[bb] exerce um papel importantíssimo e fundamental para a manutenção do sucesso da marca. Ele está muito próximo dos público e representa claramente a marca Apple e o que ela significa. Steve Jobs anuncia pessoalmente os novos produtos Apple e, em suas apresentações, mostra-se tão empolgado com o novo produto quanto qualquer pessoa de bom senso deveria ficar.

Steve Jobs, a Apple sobre pernas

Steve Jobs é um verdadeiro Show Man e consegue transmitir de forma bastante efetiva para o público a mensagem de que com tal produto, o mundo muda. Cada novo produto da Apple representa um marco histórico na evolução de computadores e eletrônicos[bb]. Tudo o que vem da marca Apple vem com qualidade impecável e a anos-luz de distância da concorrência. Jobs é o maior entusiasta da Apple. Todo presidente, em tese, tem carinho pelos produtos ou serviços de sua empresa, mas Steve Jobs demonstra isso de forma natural e altamente contagiante.

Posicionamento Clássico

A Apple, historicamente, por não ter dinheiro suficiente para verdadeiras campanhas de marketing com direito a todos os 5 Ps, adotou o Evangelismo, que não é nenhum deles. A Apple estava mesmo mudando o mundo e liderando o protesto contra a dominação mundial pela IBM.

Neste cenário, a Apple adotou toda uma estratégia e posicionamento (olha um P aí…) como sendo a rebelde, a diferente, aquela que é melhor que as massas. A empresa apresenta seus produtos como sendo diferenciados, voltados para os mais criativos entre a massa de usuários de computadores, aqueles que desejam uma usabilidade altamente intuitiva e simplificada, para que possam exercer sua criatividade sem limitações.

Além disso, historicamente, pode-se notar uma tendência da Apple em ser a segunda no mercado. Já existiam MP3 Players[bb] e a Apple tomou o mercado com o iPod[bb]. Já existiam editores de música digitais e a Apple tomou o mercado com o GarageBand, já existiam Smartphones[bb] e… Bem, não preciso nem dizer certo?

O Bom Problema

Esse posicionamento da Apple fazia todo o sentido do mundo, porém ultimamente pode-se notar que já não é mais assim. Seth Godin conta que entrou em uma Starbucks outro dia e lá estavam, cinco pessoas não relacionadas, cada uma delas com um MacBook[bb].

Hoje, a Apple é a marca das massas

Eu particularmente viajo muito e posso afirmar com absoluta segurança que mesmo aqui em Terra Brasilis a Apple faz muito sucesso. Nos aeroportos e durante os vôos[bb] nunca ocorreu de não haver pelo menos um MacBook aberto para cada seis ou sete notebooks que eu vi, contando com o meu humilde HP[bb]. Além disso, iPhone[bb], que parecia lenda, tem sempre dois em cada vôo.

O que você faz quando, de “opção” passa a ser massa? Será que a Apple precisa mudar seu posicionamento? Será que a campanha “Get a Mac” com o Mac e o PC personalizados na TV mostra que a empresa já está mudando de abordagem? Dê sua opinião nos comentários…

Ah! Aguardem as Partes 2 e 3, abordando o design e questões técnicas respectivamente.

UPDATE: O Gabriel lembrou sabiamente nos comentários que os 5 Ps do Marketing (Produto, Posicionamento, Preço, Promoção e “Packaging”) são mais uma análise do que um método. Sabiamente eu tiro o meu da reta explicando que quando falei deles, quis dizer que a Apple não tinha condições de elaborar campanhas de marketing no modelo clássico e preferiu investir mais em ótimos produtos e na criação de um ambiente no qual os clientes participassem ativamente das forças de divulgação e vendas.

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10 respostas para este post

  1. Guilherme Diz:

    Hoje eu não vejo mais um evangelização. Depois que eles apresentaram o Ipod para o mercado, ter um produto da Apple deixou de ser uma coisas para um pequeno grupo de pessoas que idolatravam a marca e passou a ser algo “cool”. Isso mudou o modo como a Apple era vista no mercado.
    Uma outra mudança, que apesar de muito criticada pelos antigos usuários do Mac, foi a adoção da plataforma intel no lugar dos PowerPC. Essa mudança tornou o Mac acessível para aqueles usuários que não abriam mão de continuar utilizando o Windows.

  2. Leandro Gabriel Diz:

    Guilherme,

    O Evangelismo ainda existe sim, e bem forte. Evangelismo não tem a ver com pequenos grupos, evangelismo tem a ver com clientes fazendo propaganda e esforço de vendas para suas marcas preferidas. Se ter algo da Apple é “cool” é só porque existem cada vez mais pessoas dizendo que é cool… Quando você conta a um amigo de forma empolgada um filme que assistiu ou um livro que leu, você está evangelizando. É isso que a maior parte dos clientes da Apple faz até hoje… No Brasil nem se viu propaganda de iPod ou iPhone e ainda assim…

    Em breve falarei mais sobre Evangelismo de Clientes aqui, aguarde e confie!

    Um abraço!

  3. Gabriel Diz:

    Excelente matéria! Não sou usuário da Apple mas acho um player interessantíssimo no mercado. Só uma consideração: como sabes, acho neomarketing fantástico (buzz, viral, guerrilha, etc), mas eu não diria que isso foge dos Ps. Os 4 Ps são uma forma de ler a inserção da marca no mercado, e não estratégias em si. Assim, o que a Apple faz são simplesmente aplicações inovadoras nesses 4 Ps. IMHO, eu diria que a estratégia da Apple nesses termos é:
    Produto: top notch. Sempre muito bem acabado e com design e interface à frente do seu tempo.
    Preço: caro de propósito. A maçãzinha vale uns bons 30% do preço de qq produto Apple no mercado, e isso é parte da estratégia desse P (maior margem pra compensar público menor) e do P de “Promoção”.
    Praça (ou Público): direcionado, como muito bem apontado na sua matéria.
    Promoção (e não necessariamente “Propaganda”, pelas escolas mais novas de mkt): investimento baixo em propaganda de agência, mas altíssimo em acessoria de imprensa, mimos para pessoas-chave e em ações alternativas, como as mencionadas estratégias de buzz mkt.
    Novamente, parabéns pelo excelente post!

  4. William Diz:

    O texto está bem escrito. As únicas duas coisas que me desagradaram foi o fato de a primeira figura não ser um link para o vídeo da mencionada propagranda e a segunda figura não ser ampliada quando clico nela.

  5. Leandro Gabriel Diz:

    Gabriel,

    Valeu a dica, fiz UPDATE no post explicando o que quis dizer quando mencionei os 5 Ps, pois talvez não tenha ficado claro. Continue acompanhando nosso blog. Em breve teremos um artigo exclusivo sobre Buzzmarketing.

    Lembrando apenas que Marketing tradicional mesmo se faz quando toda uma empresa funciona orientada para satisfazer clientes. Buzzmarketing é criar um ambiente no qual os clientes participem ativamente deste processo, portanto não deixa de ser Marketing tradicional, mas também não se enquadra como uma “ação”… Explico melhor no próximo post, ok?

  6. gustavo Diz:

    Gabriel, um trecho do seu comentário me chamou a atenção: “Produto: top notch. Sempre muito bem acabado e com design e interface à frente do seu tempo.” não discordo, mas uma revelação que aconteceu a uns dias atrás pode fazer você voltar atrás nessa afirmação quanto a design a frente do seu tempo.
    Vou falar sobre isso na minha parte do review. Aguarde

  7. Otubo Diz:

    Leandro,

    Excelente trabalho, garoto. Mas calma, nem tudo que reluz é ouro! Chavões aparte, na minha parte do review (que deve fica pronta essa semana) vou falar do padrão Closed-source, DRM e iTunes.

    Essa parada de evangelisação é excelente. Acho que é isso que falta nas empresas hoje em dia. Trabalhar muito por que de fato APOSTA no produto. Isso é MUITO raro de se encontrar.

    []’s

  8. Buzzmarketing, ou “Porque os clientes são mais importantes que os produtos” | é de gente que se faz a web | oniscienteCOLETIVO Diz:

    [...] ali, na Parte 1: The Business do 3DReview sobre a Apple, mencionei os P’s do Marketing Mix, que originalmente eram quatro: Produto, Praça, Preço e [...]

  9. Haydt Diz:

    Ótimo Post. Desconhecia várias coisas! Parabéns. Esperando pelos outros “D”.

    []s

  10. 3DReview: Apple, uma empresa para se amar - Parte 2: O design | é de gente que se faz a web | oniscienteCOLETIVO Diz:

    [...] comercial do Macintosh de 1984, citado na primeira parte desse 3Dreview, é um belo exemplo da maior qualidade da Apple, o espírito de aventura e a paixão por ser e [...]

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