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Drimio: E a killer app?

23 de Maio, 2009 escrito por Leandro Gabriel

No evento de lançamento da Drimio discuti brevemente com o Renmero uns comentários que surgiram, e que provavelmente devem surgir na fase inicial de qualquer rede social: “Porque a Drimio e não uma comunidade no Orkut?” As respostas que ouvi giraram em torno do fato de que a Drimio se propõe a agregar todo o conteúdo relacionado a uma marca em um só ambiente.

Pro usuário, talvez isso não seja o bastante. Há muito tempo divaguei aqui sobre diferenciação de redes sociais e agora retomo esse tema. A proposta da Drimio é que as pessoas se conectem em torno de suas marcas preferidas, mas… falta alguma coisa.

Durante a discussão a que me refiro ali em cima me veio à mente o melhor exemplo que tenho de rede social vertical (aquelas em que as pessoas se conectam em torno de algo: Last.fm. Como já disse no post que mencionei, o nível de especialização do Last.fm permite criar funcionalidades arrebatadoras para o assunto em torno do qual existe a rede. No caso do Last.fm essa funcionalidade é o scrobbling. É disso que sinto falta na Drimio.

Já tinha visto este post nos itens compartilhados do Google Reader de alguém, mas o link acabou se perdendo na nuvem e foi o post do Fugita que o trouxe devolta. A blogueira criou uma timeline de sua interação com marcas ao longo de uma sexta-feira típica. É basicamente o mesmo princípio do scrobbling para músicas. E se a Drimio criasse ferramentas e automações que facilitassem o desenvolvimento do perfil do usuário? Talvez o uso de diversas APIs e algumas funcionalidades similares às do FriendFeed permitisse que o perfil do usuário na rede fosse sendo construído automaticamente a partir de tuitadas, links no delicious, favoritos no YouTube, e coisas do gênero.

Disclaimer: Esse post nasceu email. Não me pareceu razoável fechar tanto a discussão, por isso apenas enviei o link do post aos destinatários originais. Assim posso também discutir o assunto com vocês.

Flexibilidade, espírito empreendedor e capacidade de abstração

15 de Fevereiro, 2009 escrito por Leandro Gabriel

Nossos pais (ou a maioria deles) foram educados e acostumados a pegar uma carreira, um rumo profissional, e seguir quase eternamente. Os meus são exemplo claro: ambos dedicaram uma vida ao mercado de medicina de grupo, ele na área de pós-venda e retenção, ela na de gestão de recursos.

Hoje mesmo as maiores empresas valorizam aquilo que algumas chamam de espírito empreendedor e outras de flexibilidade. Tomo como exemplo minha (curtíssima) experiência na IBM. Enquanto estive lá pude perceber o estímulo que existe à flexibilidade. Vagas que surgem são primeiro abertas ao pessoal interno, que tem razoável liberdade para definir suas metas de carreira e mudá-las ao longo do percurso, mudar de área. O bom funcionário de um departamento pode ser o ótimo gerente de outro. Valoriza-se a diversidade de pontos de vista e, mais do que isso, a capacidade de abstração, de absorver experiência e conhecimento amplo de situações e conflitos essencialmente específicos. Isso é a tal flexibilidade, ou espírito empreendedor.

Mesmo o exemplo da IBM não basta para ilustrar a importância de ser capaz de se adaptar à mudança. Cada vez mais empresas estão adotando uma visão de projeto para sua operação normal, com isso as equipes estão em eterna transição. Em um ambiente de projeto, quem tem maior capacidade de ajustar sua abordagem, quem tem um amplo espectro de experiências geralmente tem maior capacidade de contribuir para os milestones de alto nível, para as metas comuns a todos envolvidos no projeto.

Além disso, vivemos um ambiente de empreendedorismo bastante aquecido, onde muitos se sentem seguros o bastante para iniciar um negócio. Fábio Seixas publicou um artigo sobre como trabalhar em uma startup pode contribuir para o desenvolvimento profissional que ilustra com mais clareza o que quero dizer:

Na época da minha faculdade, eu sempre dizia para os meus colegas que era melhor optar por um estágio em uma empresa pequena, se possível uma start-up, pois seria possível ter contato direto com todos os (poucos) níveis da empresa e ter a oportunidade de aprender de tudo um pouco, diferentemente de trabalhar em uma grande empresa onde geralmente o funcionário tem contato apenas com 1 ou 2 níveis dentro do seu próprio departamento.

Esse contato com os diversos níveis de uma empresa e aprender “de tudo um pouco” contribui para o aglomerado de experiência profissional que prepara para a tomada de decisões. Talvez seja esse o motivo pelo qual até nas maiores empresas vemos CEOs cada vez mais novos. Meu palpite é que se questionarmos esses jovens CEOs sobre suas experiências veremos uma tendência à multidisciplinaridade, uma verdadeira salada de referências que permite visão ampla, aberta.

A safra de amigos demitidos continua…

15 de Dezembro, 2008 escrito por demitido

Cadê os editores desse blog? Foram demitidos? Praticamente só eu escrevi nos últimos posts. Bom, se eles foram demitidos eu não sei, mas recentemente um grande amigo meu foi. De uma agência de publicidade também.

Numa noite dessas, estávamos batendo um papo sobre essa história de ser demitido, as desculpas esfarrapadas de demissões, a falta de organização e excesso de egos inflados em agências etc. e muitas das coisas que ele me contou, me levaram a trazer novas reflexões para este blog. (obrigado, Vinicius, Gustavo, Trecker e Otubo,  por não me demitirem daqui também. Ainda…)

Do que adianta uma agência se vender como realizadora de comunicação 360 graus, se no discurso tudo é muito bonitinho e na prática não funciona? Imagina uma agência que nem mesmo dentro do próprio departamento as pessoas conversavam entre si. Seria utópico acreditar que on e off se comunicariam em prol de uma campanha de comunicação integrada para os clientes.

Isso sem falar na total falta de organização e processos. O atendimento só abre as pernas pra tudo que o cliente pede. O planejamento, bem, esse não conseguia nem planejar o próprio job description, quanto mais planejar uma campanha pro cliente. A criação sofria, afinal não vinha nada decente do planejamento e ainda tinha que correr pra cumprir os prazos absurdamente curtos dados pelo atendimento. E não podemos nos esquecer da mídia, que acha que manda em todo mundo e vive dando pitaco no trabalho alheio.

O quê? Sua agência também é assim? Mas que coincidência, né? Eu já tinha avisado no meu primeiro post: “é a mesma em que você trabalha”.

E sabe por que esse meu amigo foi demitido? Por causa da crise. Pois é, bonitão! Por causa da crise ainda, teriam que mandar alguém embora. Aí como “critério de desempate” pesou a “falta de comprometimento” dele com a agência. Ah, como se não bastasse sermos mal brifados e mal pagos, agora temos que ser mais dedicados ainda? Releiam o trecho abaixo, que relatei em um de meus outros posts:

Quando estava todo mundo lotado de jobs, todo mundo ficava até tarde. Aí alguns clientes importantes sumiram e outros enxugaram o orçamento. A demanda caiu, mas mesmo assim o consumo de horas não mudou. Mudou, mas muito pouco. [...]

Publicitário sem excesso de trabalho continua ficando até tarde. Se permite mais tempo para o café, pra tomar picolé, pra dar entrevista bacana, pra “se curtir”. Foda-se se dava pra finalizar tudo em uma semana [...]

Afinal você vai parecer muito mais importante dizendo que está até tarde trabalhando do que estar em casa fazendo porra nenhuma, não é mesmo?

Ou seja, não basta mais ficar das 9h às 21h - sendo que o horário é até às 19h e sem receber nada a mais por isso – fazendo todos os mesmos jobs, 3 ou 4 vezes, porque ele vai e volta a todo momento devido a falta de processos já mencionada. Pra ser considerado um funcionário “comprometido”, agora temos que ficar até às 23h na agência, trabalhar inclusive nos finais de semana, pra fazer adivinhem: os mesmos jobs, mas agora 5 ou 6 vezes! Ah, claro. Sem ganhar nada a mais por isso também, mas acho que essa parte você já deduziu.

Como ele não se sujeitou a essa palhaçada, foi cortado. Pior foi ter que ouvir esse discurso todo. Falei pra ele que seria muito mais legal se em vez de ser chamado na sala de reuniões e ter seu desligamento anunciado, ele poderia ter recebido por e-mail um vídeo do Justus apontando o dedo e falando “Você está demitido!”. Ainda seria uma última oportunidade de a agência posar de cool, mas nem nisso ela consegue inovar.

Pelo menos como demitido, ele agora tem tempo de sobra pra se dedicar aos projetos solos e freelas, digo, a fazer alguma campanha para político do interior e encher o bolso de grana.

E nós chegamos ao fim

24 de Novembro, 2008 escrito por demitido

Depois de bater boca com o @vtheodoro e quase sair do blog, tenho que pedir desculpas pelas provocações (mesmo só tenho falado a verdade). O clima esquentou nos bastidores do blog e acabou sobrando pro @trecker, que me convidou pra escrever aqui. Assumo que vacilei, mas é tudo por causa da decepção (mas só falei verdades).

Sem mais lenga-lenga, eu REALMENTE preciso de um emprego, e to caçando vagas fora das agências, fora da mesmice e trabalho de corno e falta de reconhecimento. Fiz uma porrada de entrevista, mas tudo pra agência “grandinha” e tô querendo fugir disso.

Umas semanas atrás ganhei o livro “E nós chegamos ao fim“, que narra como eram as coisas durante a crise publicitária do fim dos anos 90. Alguma alma caridosa achou que eu precisava de algo pra fazer e botou esse livro no meu caminho (será que foi por causa do título??). Bem, o livro é legal pra caramba (envolve publicitários num momento #sifú eu fico fã) e eu recomendo essa boa história.

Então eu quero fazer uma brincadeira com vocês e passar esse livro pra frente. Quem fizer a melhor comparação de uma profissão qualquer com a de publicidade ganha o livro. Quer um exemplo? Saca só: Vire uma putinha. Pelo menos você se fode, pode gozar algumas vezes e vai ser mais bem pago.

É só fazer a sua análise profissional aí nos comentários e me dar uma dica de uma nova profissão mais digna. Como isso aqui não é democracia, EU vou escolher a melhor resposta até o dia 15/12 e entro em contato pra pegar os dados de envio.

Obs.: Apesar dos desentendimentos e do título do post, não vou sair do blog. Me acertei com o Vinicius e até ofereci pra ele dormir em casa depois do InterCon. Só não sei onde o puto dormiu, mas que ofereci, ofereci.

Impressões gerais sobre o Intercon’08

26 de Outubro, 2008 escrito por Otubo

oniscienteColetivo em peso no #intercon 2008! Eu, @trecker e @vtheodoro participamos do maior evento da internet brazuca. E taí, aliás, tão lá no otubo.net as minhas impressões. Altos e baixos do evento:

“E lá se foi mais um #intercon, mais um #NoB e mais um dia inteiro repleto de nerds, idéias interessantes, networking, sacolas inúteis de provedores, brindes e tal e coisa.

Mas eaí, como foi o Intercon desse ano? Ai vai uma visão geral…”

Nizan vs Fábio Fernandes - A batalha completa.

24 de Outubro, 2008 escrito por demitido

O Vínícius (um publicitário, assim como eu fui) me zuou ontem nos comentários do último post, sobre a minha raiva do mercado de propaganda e, ainda por cima, insinuou minha vontade de querer voltar.

Haaaa meu amigo, quer uma prova maior de quanto esse mercado é escroto do que esse vídeo de duas grandes celebridades da publicidade nacional, da qual você admira tanto, fazendo esse papelzinho barato (a propósito, valeu por subir o video lá).

Com vocês a grotesca batalha do Criativesco vs Popularesco

Depois do jump você confere o polêmico e-mail atribuido ao Sr. Fábio Fernandes sobre a batalha com Nizan.

E aí Vinícius, você acha mesmo que eu quero voltar a ser publicitário que nem você?

Leia o artigo completo »

Todo jovem publicitário quer ser Ex-BBB

21 de Outubro, 2008 escrito por demitido

Semana passada recomecei a procura por emprego (por isso fiquei sem postar por aqui). Daí que encontrei uma incoerência absurda nas minhas características profissionais. Enquanto eu tentava prostituir minhas qualidades e amenizar meus defeitos, procurei observar o que aconteceu nas minhas últimas semanas na agência.

Quando estava todo mundo lotado de jobs, todo mundo ficava até tarde. Aí alguns clientes importantes sumiram e outros enxugaram o orçamento. A demanda caiu, mas mesmo assim o consumo de horas não mudou. Mudou, mas muito pouco. Agência nenhuma vai querer entregar job em tempo recorde pra cliente nenhum. Porque senão nego vai achar que é fácil e vai querer botar prazo hediondo em tudo que é job.

Então publicitário sem excesso de trabalho continua ficando até tarde. Se permite mais tempo para o café, pra tomar picolé, pra dar entrevista bacana, pra “se curtir”. Foda-se se dava pra finalizar tudo em uma semana maaaaas, precisamos manter o padrão. Afinal vc vai parecer muito mais importante dizendo que está até tarde trabalhando do que estar em casa fazendo porra nenhuma, não é mesmo?

A personalidade do “publicitário-médio” é uma parada muito engraçada. Nego é estagiário de porra nenhuma, pega aquele convite que o chefe não tá nem ligando e vai pra festa de lançamento do seilaoque, ou comemoração da inauguração do novo qualquercoisa que só é importante pra ele e pra meia dúzia que tá lá. Daí vai na festa e leva seu iPhone. Acha uma rodinha de caras iguais a ele que aceitam que ele fique por perto e ouça a conversa chata sobre assunto chato enquanto come canapé.

Mas publicitário convidado pra festa vai dar o braço a torcer que a festa é uma bosta? Nem a pau. Aí é que nego saca o iPhone do bolso e manda no twitter: “Essa festa tá bombando! Váááárias gatenhas super inteligentes e de glândulas mamárias altamente volumosas dissertando sobre a dicotomia presente no raciocínio dos principais diretores de marketing do país!”. Pronto a imagem de importante tá feita. Mesmo querendo que a festa acabe logo se não ele vai perder o último ônibus.

Não adianta. Enquanto os modelos a serem seguidos continuarem formando cada vez mais nego com perfil de Ex-BBB, vai ser Ex-BBB que vai trabalhar na sua agência. Nego vai comer sanduíche de mortadela com tubaína e comentar sobre o delicioso Shiraz australiano que degustou com seu Filet Mignon ao molho de aspargos. É o jeito mais fácil de traduzir como se comporta o publicitário empregado, mas desocupado.

Os modelos já não são mais exemplos de nada. Acorda: NENHUMA agência pensa. Por mais legal e descolada que seja a sua, ela ainda é tão burra quanto (ou mais) que as outras que vieram antes. Agrupa tudo que você vai ver. Em um grupo, o comportamento dos membros é geralmente nivelado por baixo. Se as agências de sucesso são idiotas, as de fracasso também são.

Webbr é só o core por enquanto, mas promete.

18 de Outubro, 2008 escrito por Leandro Gabriel
Fonte: Mashable.com

Fonte: Mashable.com

Apostando no crescente aumento de elementos gráficos e uma maior “imersão” visual, os caras da Webbr criaram uma rede social bastante gráfica, que permite ao usuário visualizar de uma forma bastante direta e clara como as pessoas se conectam entre si e com assuntos, grupos e interesses.

O serviço ainda é beta e os criadores pretendem liberar uma API para que os usuários desenvolvam novas APPs e Feats. Na verdade, para os early adopters o webbr parece um tanto quanto ralo e sem propósito. É culpa do modelo de desenvolvimento que está cada vez mais virando tendência. Você “solta” o Core, abre para usuários e enquanto desenvolve seu serviço os próprios usuários vão contribuindo com novas aplicações úteis.

A grande arte de quem cria uma startup é o que Guy Kawasaki chama de “deixar 100 rosas desabrocharem”.  Quando você lança um produto ou serviço inovador você não sabe exatamente para que ele será usado. Você sabe para que VOCÊ e seu time querem usar (se é que você é um cliente potencial do seu próprio serviço). Nada mais lógico que desenvolver junto com os usuários.

No fim das contas, gostei da proposta do Webbr. Especialmente pela “cara” de sistema operacional que ele tem, evitando a abertura de 275 abas e maximizando produtividade. Além disso, a proposta de vizualização da sua rede de contatos, juntamente com seus interesses, grupos, etc me lembra um conceito proposto pelo Pedro Markun, de aplicar tags aos seus contatos. Isso facilita muito em um ambiente profissional, por mais desumano que possa parecer.

A crise chegou e quem paga sou eu?

15 de Outubro, 2008 escrito por demitido

A crise detonou os bancos americanos, criou recessão, as bolsas sofreram sua maior queda e blá blá blá e tal. Essa porra toda você já está cansado de saber. Por causa de um monte de idiotas lá na terra dos inventores do sucrilho eu sofri um circuit braker bem no meu monitor. Foi duro esse meu momento BOVESPA.

Bem que eu sei que poderia ser diferente, mas você acha mesmo que os caras que me demitiram iriam abrir mão dos luxos deles? NUNCA! Afinal, você acha que eles vão parar de comer no Fasano? Acha que a crise vai afetar os presentinhos legais de Natal? A crise só chega pra quem tá na base da cadeia alimentar publicitária galera, lá onde eu estava. Ou melhor onde nós estavamos.

Por isso vou fazer uma lista aqui de alguns passos que podemos seguir pra manter a pose:

1- Pare de pagar as parcelas do seu notebook descolado pra poder manter as idas aos cybercafés, sem notebook descolado não tem motivo ir pro cybercafé. Vocês nem gostam tanto de café assim. Além do que, seu notebook descolado já é velho. Agora o descolado é de alumínio e “güenta” quatro dedos!

2- Se aquela galera que continua trabalhando chamar você para um chopp no barzinho bacana do mês, diga que não vai rolar porque já enjoou de lá e está indo com um sei lá quem numa festinha no bairro chique da cidade. Assim você posa de difícil e a sua fama de cool cresce ainda mais. Fotos?? Nããããão. Tava tão divertido que você nem tirou fotos. Se alguém te ligar não atenda, você é difícil, esqueceu?

3- Como o mundinho publicitário é um ovo de codorna você tem que se manter bem até pra quem sabe que você foi demitido. O papo de “tô tocando uns projetos e uns freelas” é furada. Diga que você articulou e fez consultoria pra alguns candidatos a prefeito do interior do estado e por isso “você tá tranquilo de grana pra caralho e vai curtir um pouco”.

4- Pra não perder a pose com os amigos marque alguma coisa com eles em um lugar caro e gaste o seu ultimo dinheiro na frente deles. Dinheiro vivo, nada de cartão de crétido, se é q vc ainda tem um.

5- Chame a vagabundagem de férias. Diga que vai, não precisa ir. E esquece essa bobagem de lifestreaming o tempo todo. Se você manda só opiniões ou, como todo mundo faz, reclamações, no twitter, não precisa avisar onde você está. Crie um espectro de possibilidades. Reclame ou opine sobre coisas que poderiam tanto estar na esquina da sua casa como no Resort em Itamambuca.

6- Estude. Sei lá. Leia um livro técnico e comente sobre o que lê nele. Pareça ocupado.

Só lembrando que nada dessa lista vai fazer diferença nenhuma quanto ao fato de você estar DESEMPREGADO e FALIDO. Mas auto-estima e confiança, se sentir seguro de si e essas bobagens fazem bem. Você só percebe como faz bem quando não tem mais.

Se você AINDA não foi demitido, vai treinando desde já. A transição vai ser mais fácil.

E agora? Fui demitido!

14 de Outubro, 2008 escrito por demitido

Então foi assim. Aprendi a vestir as roupas certas, usar os smartphones certos, os notebooks certos, proferir as frases certas, com as palavras gastas certas. Aprendi a me vestir e me comportar como o meu chefe. Aprendi a agir como um bem sucedido Diretor de [Insira aqui algum departamento de nome bacana que sua agência tenha inventado ], mesmo sendo um simples analista com um salário menor que os meus amigos que foram pro Marketing de grandes empresas.

Assino Wired, F@st Company e aquela outra também. Saí com a atendimento um tempo e ela adorava discutir minhas idéias e observações, aliás, meu inferno profissional começou quando paramos de sair.  Almocei no Ritz mais vezes que você, com pessoas mais importantes (e menos interessantes) que você. Já passei Reveillon no Copacabana Palace, a trabalho. Já levei muito neguinho endinheirado em puteiro chique, a trabalho. Comecei nessa brincadeira como todos vocês e fiz as mesmas coisas que vocês. Realizei tanto quanto vocês.

Comecei este texto com uma caricatura de mim mesmo só pra mostrar que sou bem igual a todos os outros. Não vou falar de portfólio ou de realizações, mas tenho tudo isso. Não vou me identificar, porque não quero que diferenciem minha história dos outros 7 que foram demitidos antes de mim. Não identifico também a agência, porque é a mesma em que você trabalha.

Num ato de caridade (e obviamente querendo pôr mais lenha na fogueira) o pessoal do oC me deu esse espaço pra que eu possa contar minha história, e descer a lenha no mundinho quase autista do mercado publicitário. Daqui por diante, eu sou o cara que fala mal da porra do mercado. Não sei até quando vou ser o blogueiro ex-publicitário atual desempregado amargurado com a vida. Só sei que enquanto for assim, terei lugar aqui, pra mandar tudo à merda.